quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

DO PECADOR PARA O SANTO




Como é complexa, diversificada e única, a imprevisível personalidade do gênero humano! Na busca da felicidade no horizonte perdido de cada um, há os que se socorrem do próprio isolamento a meditar; há aqueles que pensam consegui-la apenas se fizer fortuna; os altruístas e empáticos parecem tê-la; os caridosos e humildes como São Francisco, tudo indica possuí-la; os que se dedicam ao conhecimento (seja da matéria ou da alma), asseguram que é possível obtê-la. Há quem a veja numa rosa, num dia chuvoso no Nordeste do Brasil, num dia de sol na sombria Londres, na reconciliação do amor ou ao final de mais uma guerra. Mas os dias do hoje escondem este sentimento de tal modo que o sonho de ser feliz, direito de todos, torna-se cada vez mais utópico, razão pela qual se explique em parte o uso indiscriminado de drogas, inclusive, de forma alarmante, entre os muito jovens. Observamos corriqueiramente garotos e garotas de pouca idade para qualquer coisa que não seja dar recado ou brincar de boneca, em festinhas de “som de bate estaca”, desacompanhados de um anjo adulto da família, a tomar porres de variações do álcool, com conseqüências imprevisíveis.
Temos um neto de quase 14 anos, “BBB” (Breno, Bom e Bonito) e o monitoramos de perto sempre que podemos. Nossas conversas são francas e abertas, para que esse monitoramento não exija nossa presença física ostensivamente, na tentativa de contribuir na organização de um superego razoável e sensato, que nos liberte de tanta preocupação.
Orientá-lo para que não ceda à força do grupo de sua idade em assuntos “perigosos” é uma tarefa do dia a dia, já que eles, nessa fase, imitam instintivamente e querem emoções novas que os levem logo à vida adulta, lugar em que julgam coexistirem irmanadas, liberdade e felicidade. Sobre a ilusão de encontrar alegria e auto-confiaça com ajuda de bebida alcoólica ou de outras drogas ditas mais conflitantes, disse-lhe que é a saída dos fúteis e pouco inteligentes, e que cada indivíduo reage diferentemente a elas, pois todos nós carregamos na mente os animais com os quais nos identificamos:
- Alguns liberam pássaros (ficam cantantes, sinfônicos, até);
- Outros deixam sair cães tipo poodles ou labradores (só diversão)
- Há os que soltam lagartixas e lagartos (palavras vãs, palavrões);
- Há aqueles que se livram de macacos (e haja palhaçada) ou de porcos (quando então perdem o estilo);
- Infelizmente existem os que também nos brindam com cascavéis e pittbuls (e aí é pura dinamite: quando não matam, machucam demais);
Mas se você liberasse apenas pombas brancas, daquelas da Paz de Jesus após tomar vinho com seus amigos apóstolos, então prometo acompanhá-lo em suas “bicadas”! O ideal é não iniciar, pois todos esses bichos podem pertencer a um só indivíduo, que os vai soltando um a um em dias incertos, seguindo ou não a ordem que citei.
Procure, meu neto, a felicidade no coração de quem de fato queira o seu bem.
Com certeza ela lá se encontra se você acreditar. Afinal, nenhum de nós que amamos a você, deseja-lhe a outra face dessa utopia.


Um beijo do seu Vozinho.
Feliz Ano Novo!

31.12.2008
Dr. João Marni de Figueiredo.

Nenhum comentário: